Por esses dias,bem de manhãzinha, estava no centro de Niterói, cercada por prédios (selva de pedra), e uma coisa chamou muito minha atenção..
Era um beija-flor solitário,verde escuro,lindo! Sentada fiquei a observá-lo durante um tempo. Ele voava..voava.. e pousava nos fios dos postes, parecia um tanto perdido.
Nossa,como apesar de tão lindo,ele não combinava nem um pouco com aquele lugar! Mas claro,ali não era o seu lugar!
Pensei comigo: Será que fatos como este vão tornar-se cada vez mais frequentes? Uma beleza delicada,natural,contrastada ao concreto,buzinas e fumaças?
Bom,espero que não.
Pisquei.
Quando abri os olhos,não estava mais lá.
Tudo isto me lembrou muito o grande poeta Manoel de Barros. E para estreiar a postagem...
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos, como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
eu adorei de verdade esta foto e tao fofa meu deus do ceu e realmente muito lindo
ResponderExcluiraaaaammmmmmooorre
eu adorei eu ano sei se algumas pessoas vao uo iroao gostar desta foto mais saibam que eu adorei
ResponderExcluir