segunda-feira, 19 de julho de 2010

Beija-flor




Por esses dias,bem de manhãzinha, estava no centro de Niterói, cercada por prédios (selva de pedra), e uma coisa chamou muito minha atenção..
Era um beija-flor solitário,verde escuro,lindo! Sentada fiquei a observá-lo durante um tempo. Ele voava..voava.. e pousava nos fios dos postes, parecia um tanto perdido.
Nossa,como apesar de tão lindo,ele não combinava nem um pouco com aquele lugar! Mas claro,ali não era o seu lugar!
Pensei comigo: Será que fatos como este vão tornar-se cada vez mais frequentes? Uma beleza delicada,natural,contrastada ao concreto,buzinas e fumaças?
Bom,espero que não.

Pisquei.
Quando abri os olhos,não estava mais lá.


Tudo isto me lembrou muito o grande poeta Manoel de Barros. E para estreiar a postagem...


O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.

Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos, como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.

Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


Manoel de Barros

2 comentários:

  1. eu adorei de verdade esta foto e tao fofa meu deus do ceu e realmente muito lindo

    aaaaammmmmmooorre

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  2. eu adorei eu ano sei se algumas pessoas vao uo iroao gostar desta foto mais saibam que eu adorei

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