Eu ainda seguro o último fio de suas digitais em minha memória.
Eu ainda preservo o último minuto. Ainda vivo o último beijo.
Me alimento das suas doces palavras insuportavelmente amargas na minha saliva.
Todo dia. Sem que ninguém saiba. Te espio em pensamento.
Sou porta-voz da saudade.
Sou caixa abarrotada de futuros, revestida de passados.
Sou a prova da ineficiência do poeta e o amor.
Eu sou a saudade invadindo os olhos, inundando açudes desconhecidos.
Sou o espaço entre dois abraços.
O instante anterior de dois olhos apaixonados.
Sou a cama feita.
O cabelo arrumado.
A xícara vazia e o pão dormido.
Sou o lugar que você ocupou.
Sou o porta retrato.
Sou o passado amador.
Eu sou o amor sem nunca ter amado.
- Mas agradeço a ti. Pois é a quem devo meus versos (amar)gos -
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Despretenciosa tarde.
Andava a caminho de casa, numa tarde nublada, quando comecei a reparar o caminhar das pessoas. Todo seu movimento com os pés. Do ritmo, ao momento em que um saia do chão, e outro chegava a superfície. Sem fazer ideia da onde aqueles passos mentais me levariam, apenas procurei segui-los.
Foi quando, depois de algum tempo com a cabeça baixa, focada nos inúmeros pés pacatos pela tarde nublada, ergui a cabeça, e tudo estava diferente do minuto anterior.
Não sei que lapso neurológico ocorreu, mas só conseguia ver as pessoas de outra perspectiva. Eu as via caminhando, sim. Porém umas caminhavam para trás como carros manobrando de ré, outras para o lado, feito siris. Embora, no fio de razão que restava, eu soubesse que todas estavam como antes, seguindo reto para o seu determinado rumo.
Estranhei tal inovadora percepção e por um momento acreditei realmente estar louca, também pensei; estaria Deus divertindo-se apertando o REC, o Play ou acelerando as cenas? (Descartando a primeira possibilidade, visto esta jaz me acompanhar) Mergulhei nua á reflexão.
Sendo assim, para que direção então, estava eu naquele momento? Estaria realmente indo para aonde os meus pés pronunciavam-se ?
Me dei conta.
Não. Não estava.
Eu estava exatamente há uma semana antes quando te conheci. Estava também há dois dias atrás quando parada de frente ao teclado, chorei, me angustiei, por não conseguir mais transpor minhas ideias, meus sentimentos que transbordavam-se pelos poros, jurei achar que nunca mais conseguiria escrever. Depois caminhei 10 minutos a frente quando chegaria em casa e mataria minha fome. Passeei pela infância por um segundo e corri 10 anos a frente sem luz.
Ergui a cabeça (foi quando tudo estava diferente). Ao avesso, talvez do avesso do avesso. Passado, presente, futuro. Todos explicitamente refletidos nos corpos, inclusive o meu.
No entanto, continuava a andar por razões incoerentes no momento. Para aonde eu ia, não era para aonde queria ir, onde eu estava não era exatamente aonde deveria estar. Contudo, o fluxo da contrariedade não parava.
Desejei ser um rio, livre, que saboreia as pedras, que permeia o leve e o espesso.
Desejei ser...Mas a mente programada não me ensinou os passos da vontade. O registro da rotina, evoca sempre um objetivo.
Lembrei do meu atual angustioso processo de criação. Estagnara-se feito um rio seco de João Cabral e seu cão sem plumas. Com uma estrada por cima, engarrafada de palavras. Atalhos. Caminhos conhecidos. Assuntos determinados. Um ponto de partida e um ponto final. Caminhos retos, sem curvas, de passos predestinados e vontades sublimadas.
Simples reflexos da minha caminhada coesa com pés sufocados por sapatos gastos.
Talvez seja por isso que os artistas valorizem tanto sua arte e não a trocam por nenhum ofício. Pois quem a descobre no seu templo interior, se descobre infinito e encontra o grande tesouro procurado por muitos há milênios: A LIBERDADE.
Eu achei o meu mapa.
Agora começa a verdadeira caminhada....
Foi quando, depois de algum tempo com a cabeça baixa, focada nos inúmeros pés pacatos pela tarde nublada, ergui a cabeça, e tudo estava diferente do minuto anterior.
Não sei que lapso neurológico ocorreu, mas só conseguia ver as pessoas de outra perspectiva. Eu as via caminhando, sim. Porém umas caminhavam para trás como carros manobrando de ré, outras para o lado, feito siris. Embora, no fio de razão que restava, eu soubesse que todas estavam como antes, seguindo reto para o seu determinado rumo.
Estranhei tal inovadora percepção e por um momento acreditei realmente estar louca, também pensei; estaria Deus divertindo-se apertando o REC, o Play ou acelerando as cenas? (Descartando a primeira possibilidade, visto esta jaz me acompanhar) Mergulhei nua á reflexão.
Sendo assim, para que direção então, estava eu naquele momento? Estaria realmente indo para aonde os meus pés pronunciavam-se ?
Me dei conta.
Não. Não estava.
Eu estava exatamente há uma semana antes quando te conheci. Estava também há dois dias atrás quando parada de frente ao teclado, chorei, me angustiei, por não conseguir mais transpor minhas ideias, meus sentimentos que transbordavam-se pelos poros, jurei achar que nunca mais conseguiria escrever. Depois caminhei 10 minutos a frente quando chegaria em casa e mataria minha fome. Passeei pela infância por um segundo e corri 10 anos a frente sem luz.
Ergui a cabeça (foi quando tudo estava diferente). Ao avesso, talvez do avesso do avesso. Passado, presente, futuro. Todos explicitamente refletidos nos corpos, inclusive o meu.
No entanto, continuava a andar por razões incoerentes no momento. Para aonde eu ia, não era para aonde queria ir, onde eu estava não era exatamente aonde deveria estar. Contudo, o fluxo da contrariedade não parava.
Desejei ser um rio, livre, que saboreia as pedras, que permeia o leve e o espesso.
Desejei ser...Mas a mente programada não me ensinou os passos da vontade. O registro da rotina, evoca sempre um objetivo.
Lembrei do meu atual angustioso processo de criação. Estagnara-se feito um rio seco de João Cabral e seu cão sem plumas. Com uma estrada por cima, engarrafada de palavras. Atalhos. Caminhos conhecidos. Assuntos determinados. Um ponto de partida e um ponto final. Caminhos retos, sem curvas, de passos predestinados e vontades sublimadas.
Simples reflexos da minha caminhada coesa com pés sufocados por sapatos gastos.
Talvez seja por isso que os artistas valorizem tanto sua arte e não a trocam por nenhum ofício. Pois quem a descobre no seu templo interior, se descobre infinito e encontra o grande tesouro procurado por muitos há milênios: A LIBERDADE.
Eu achei o meu mapa.
Agora começa a verdadeira caminhada....
terça-feira, 9 de agosto de 2011
(Achados e Perdidos)
( Era um dia de manhã...)
Acordei sentindo uma saudade da saudade...
Resolvi então em um espasmo nostálgico revirar todas as minhas coisas guardadas.
Me surpreendi. Quando abri o armário tudo caíra em cima de mim. Era tanto entulho!
Sufocada, ainda me indaguei: Como coube tanto dentro de tão pouco?
Lembranças mofadas. Sonhos hibernados. Tanto em tão pouco.
Então, num súbito rompante comecei a arremessar tudo janela a fora. Tudo!
Fui ao poucos me desfazendo...
Roupas mofadas. Lembranças intactas. Amores enteiados. Promessas guardadas.
Assemelhava-se a um ritual. Enquanto seguia a partitura do meu anseio,
Me entregava a um ensaio nu aos passáros confabulantes nas árvores.
E seguindo sua orquestra sutil, continuava me desfazendo de tudo.
Fotos roubadas. Poesias enquadradas. Rimas anestésicas. Ponteiros. Gavetas. Calcinhas. Amores. Tudo!
Todos esvaindo-se junto a tarde.
Sentia meu corpo, então, despido de toneladas mentais... ficando leve...leve...
Por fim, dei-me por silenciosa a auscultar a entrada solene da noite.
Feito criança que se cansa da brincadeira, retomando a consciência e o folêgo, sentei-me num canto do quarto, jaz vazio, ocupado pela predominância de suas paredes brancas.
Mas senti uns olhos. Como quando a impressão de estar sendo observado.
E avistei, do outro lado da sala.
Uma gaveta. Isolada, inibida pelo espaço.
Me aproximei, certa de que seria meu último alívio janela a fora.
Certezas são tão prepotentes.
Como não lembrava! Claro! Ás vezes escondemos tão bem de nós mesmos que realmente esquecemos.
Mas engano foi achar que esconder seria sinonimo de superar.
E me vi ali, no meio do quarto, encharcada por lágrimas, ao ver sua foto dentro daquela gaveta.
Do que valeu-me desfazer de tudo se continuava ali sufocada? Impregnada de saudade. Impotente de quaisquer desfeita. Imersa em ti.
Aonde estavam os pássaros agora?
(Silêncio)
Fez-se dia, a noite em que joguei a mim pelo abismo, janela a fora.
Fez-se o encontro de mim -diriam os de bom senso- no insensato.
(Poeta retirando uma pena de sua asas e molhando-a em tinta, continua a escrever)
Neste dia descobri a leveza da saudade.
Hoje, sua foto continua lá na gaveta, dentro do quarto.
Acompanhada a tudo que numa tarde havia sido arremessado embora.
Porém, nunca mais precisei guardar nada, muito menos jogar tudo pelos ares. Apenas deixo a janela aberta.
Pois, assim como eu.
Tudo meu, criara...
Asas...
(Voa)
domingo, 26 de junho de 2011
Tributo ás palavras
Intrigante mensurar os parâmetros da morte. Estaria ela vinculada somente aos horizontes biológicos?
Não sei. Talvez. Mas sinto que minhas palavras possuem legítima vida.
São geradas por um tempo, depois maduras, se jogam no ar como pássaros livres no mundo e um dia se vão, esvaem-se, nem que seja a pé do ouvido mais próximo.
Porém trato-as tão delicadamente. Enfeito-as, acarinho-as, coloco-as para dormir, por vezes elas sentem medo de ficarem sós. E se por acaso apaixonarem-se deixo-as ir, correndo, felizes pelo campo, pois sabem que sempre ao final da tarde, estarei ao pé da porta á espera de resposta.
Mas ás vezes elas não voltam..
Hoje, esperei um minuto a mais antes de trancar a porta. Foi quando vi, ao longe, um homem, caminhando como quem traz chumbos nos pés, trazia minhas meninas no colo, que já não mais viviam.
Falecem todas as minhas palavras para ti...
Intrigante. Não entristeci. E olha, tratei de fazer um belo jardim com elas e um velório digno de sua memória em vida. Agora descansam merecidamente, pois fato, que estavam elas todas tão velhinhas...
Cansadas de tanto esperar.
Falecem hoje palavras.
Jazem pensamentos.
Um dia movimentos.
Porém, nascem descendentes felizes, geradas no mais belo jardim, onde dorme a memória viva que um dia foi dita.
É lindo o poder que as palavras tem de sintetizar mistérios em um sentido.
Não sei. Talvez. Mas sinto que minhas palavras possuem legítima vida.
São geradas por um tempo, depois maduras, se jogam no ar como pássaros livres no mundo e um dia se vão, esvaem-se, nem que seja a pé do ouvido mais próximo.
Porém trato-as tão delicadamente. Enfeito-as, acarinho-as, coloco-as para dormir, por vezes elas sentem medo de ficarem sós. E se por acaso apaixonarem-se deixo-as ir, correndo, felizes pelo campo, pois sabem que sempre ao final da tarde, estarei ao pé da porta á espera de resposta.
Mas ás vezes elas não voltam..
Hoje, esperei um minuto a mais antes de trancar a porta. Foi quando vi, ao longe, um homem, caminhando como quem traz chumbos nos pés, trazia minhas meninas no colo, que já não mais viviam.
Falecem todas as minhas palavras para ti...
Intrigante. Não entristeci. E olha, tratei de fazer um belo jardim com elas e um velório digno de sua memória em vida. Agora descansam merecidamente, pois fato, que estavam elas todas tão velhinhas...
Cansadas de tanto esperar.
Falecem hoje palavras.
Jazem pensamentos.
Um dia movimentos.
Porém, nascem descendentes felizes, geradas no mais belo jardim, onde dorme a memória viva que um dia foi dita.
É lindo o poder que as palavras tem de sintetizar mistérios em um sentido.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Simbiose Poética
Minha poesia quer ser incompreendida.
Quer ser incógnita. Indefinida.
Minhas palavras são concebidas.
Férteis filhas do ventre da minha alma.
Um parto de mim.
Ultimamente estive pensando muito nas palavras e a minha relação com elas..
Intrigante aceitar, mas elas já tem vida própria em mim, chego a arriscar dizer que possuímos uma espécie de simbiose poética. Preciso delas para viver e elas precisam da vida que as dou.
Como se meus dedos fossem seu oxigênio e nós, fizéssemos parte de um grande órgão, e de fato, acredito que isto não seja hipotético. Minhas palavras querem ser por si próprias, querem ser fora de mim, me usam para existir. Eu? Eu não ligo, não me importo. Eu gosto e deixo que elas me usem, me corrompam.
Toda essa relação me faz pensar muito a respeito do grande poeta e sobretudo apaixonado, Vinicius de Morais, poeta que fazia de suas palavras, pura paixão, puro fogo. Poeta que não tinha dimensão de quanto amava, mas hoje ao ler suas poesias, posso jurar que ele tenha morrido de amor. Foram tantas as paixões equivalentes a inúmeros relicários poéticos que me remeto á seguinte reflexão: Vinicius escrevia porque amava ou amava para escrever?
Não sei.
E talvez não queira mesmo esta resposta.
Pois com a minha relação com as palavras posso responder por mim...
...Eu escrevo e amo para amar.
De Repente
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Morais.
Esta pintura me chamou bastante atenção pelas suas cores, formas e beleza, é uma obra de um Grande amigo e Artista, Carlos Valença. Que está no blog: http://carlosvalenca-arteempalavraseimagens.blogspot.com/
sábado, 12 de março de 2011
Palavras em flores

Diante de um tão belo jardim,
Recolho meus derradeiros buquês de mato.
Esboço flores de plástico
Nas minhas mãos talhadas de verbos.
E entrego-lhes,
Como a inibida manhã cinza entrega-se.
E entrego-lhes,
Com a feita consciência da beleza imperfeita.
Ao menor poema
Por fascínio, aventura
é meu dever de poeta um canto épico, monumental.
O Brasil afinal...
Mas esse torpor...esse cansaço
essa letargia...enjôo
e a minha preguiça é tal, que..
Que tal um poema sem letra iniciado com ponto final?
Cézar de Araújo.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Azar no jogo, sorte no amor?

Outrora noutra vida não tão distante, eu fui um cassino. Sim, um cassino.
Nele como regra, apostava-se no mínimo todas as suas fichas e de garantia entregava-se as roupas do corpo e nu, sem alma por fim, apostava-se o coração.
É, eu fui um cassino daqueles cheios de brilho e sorriso grande, convidativo: "Seja Bem Vindo".
Cassino poderoso no qual jogos de amor eram a atração da casa.
E como todo bom cassino capitalista -que a redundância fale por mim- o visitante sempre tinha as primeiras vitórias, pois assim é a lógica.
Pois é, noutra vida fui um cassino.
E nesta manhã,
Nasce apenas um mero apostador, parado de frente a um sorriso viciante.
Um mero aposentado coração
Cheio de fichas na mão.
Maldito capitalismo.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Reflexos de reflexões

Quero rir contigo
O meu melhor Bom dia.
Verás nos meus traços de poeta contido,
A coincidente linha de expressão da vida.
Na corda bamba o bailarino anda.
Seus pés refletem o pódio.
Mas no destino ninguém comanda.
O Bailarino está num abismo entre o amor e o ódio.
Sentada o vejo da segunda fileira, primeira cadeira.
Vejo meus traços traçados por passos,
E ao redor, olhos atentos a espera de um bom final.
Irônico desejo de suas próprias rotinas.
Entre o pés e a corda, digitais.
Entre olhos e passos, um pin-go.
Aplausos saudados!
Risos provocados por nervos.
Prazer, sou artista, vivo entre seu riso e meu vício.
Entre o contigo e o contido.
Vivo entre,
(amanhece)
Um ponto.
[Reflexos de reflexões para todos os artistas
Que fazem da sua própria vida um palco.
De cada palco, um salto.
De uma noite, um Bom dia para os morcegos com insônia.
Pois eles imaginam o dia, como os poetas, o amor.
Coordenadas simples da natureza.]
domingo, 26 de dezembro de 2010
Falemos um pouco de amor..
Caro latifúndio,
Como controlar o que nem mesmo se sabe da onde veio nem porque chegou?
Paixão mal educada, entrou sem pedir licença.
Entrou avisando que talvez não seja mais uma.
Entrou sem me pedir e já construiu seu latifúndio caro em um coração barato, fácil.
Quando as coisas tornaram-se tão complicadas?
Quando as intenções tornaram-se claras e me deixaram vulnerável?
Talvez passe tão rápido como veio.
Talvez fique tão eterna como quando a esperava.
Esperas podem até durar um minuto para quem está a centímetros de distância,
Mas o querer é tão grande que relativisa qualquer vontade.
Como é louco apaixonar-se! Como é clichê! Como está na moda!
Mas não me importa nada agora.
Me faz feliz pensar que amanhã irei esperar quem sabe acordares.
Intrigante contar as milhares palavras que escrevo e compará-las com o tempo que imagino nosso plural.
Se equivalessem, este sentimento não seria real, tornarse-ia pequeno demais,ou jaz,teria me enlouquecido.
Mas não. Ele está na medida certa da paixão. Qual a medida? Se pudesses me ver agora saberia..
Porém ainda não sabes.
A minha paixão é muda, a canto enquanto o violão esboça amores alheios.
Mas estamos mais atentos aos outros.
A sinfonia se cala e aguarda os acordes perfeitos do seu beijo..
Como controlar o que nem mesmo se sabe da onde veio nem porque chegou?
Paixão mal educada, entrou sem pedir licença.
Entrou avisando que talvez não seja mais uma.
Entrou sem me pedir e já construiu seu latifúndio caro em um coração barato, fácil.
Quando as coisas tornaram-se tão complicadas?
Quando as intenções tornaram-se claras e me deixaram vulnerável?
Talvez passe tão rápido como veio.
Talvez fique tão eterna como quando a esperava.
Esperas podem até durar um minuto para quem está a centímetros de distância,
Mas o querer é tão grande que relativisa qualquer vontade.
Como é louco apaixonar-se! Como é clichê! Como está na moda!
Mas não me importa nada agora.
Me faz feliz pensar que amanhã irei esperar quem sabe acordares.
Intrigante contar as milhares palavras que escrevo e compará-las com o tempo que imagino nosso plural.
Se equivalessem, este sentimento não seria real, tornarse-ia pequeno demais,ou jaz,teria me enlouquecido.
Mas não. Ele está na medida certa da paixão. Qual a medida? Se pudesses me ver agora saberia..
Porém ainda não sabes.
A minha paixão é muda, a canto enquanto o violão esboça amores alheios.
Mas estamos mais atentos aos outros.
A sinfonia se cala e aguarda os acordes perfeitos do seu beijo..
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Dificuldade para título. Simplesmente um título,por si só.

Penso ás vezes,quando estiver bem velhinha,será que ainda haverá espaço para coisas novas? Para amores e paixões? Não sei. Seria equívoco meu prever. Porém, meu espírito sempre almeja mais e mais conhecimento e verdade. Não canso. Meus olhos clamam.
Dentre tudo isso,acredito que tudo seja renovável. A vida sempre muda, mesmo que nos pequenos detalhes, principalmente nos pequenos detalhes, são os que dão sentido ao nosso quebra-cabeça da rotina.
Pela vida vou seguindo,não apenas andando e relatando,mas construindo pontes, fazendo história, não de maneira grandiosa, para mim a história está no meu lápis, ele é minha memória.
Então, de que vale passar pela vida se não fizeres o que gosta? E o que você gosta vem de suas singularidades, do seu íntimo. Portanto se não fores a busca de si mesmo e das suas convicções mais autênticas, o que lhe sobrará? Não serás teu.
Deposito sempre nas pessoas a minha confiança pelo bom. Acredito que dentre tantos problemas e razões, o amor e a paz fazem a diferença, sentimentos que são legítimos e autênticos a todos nós, e podem ser plantados,regados e colhidos com fartura.
Acredito no amor. Sim! Acredito. Não conheci sua fórmula, e muito menos sei como é que se diz eu te amo. Mas eu amo,cada dia que chega,cada noite que fala. Cada olhar puro que diz tudo. Eu amo, e é uma sensação tão boa e renovante que hei de amar a todo instante.
Imagem de Anna Anjos. Grande artista plástica.
sábado, 23 de outubro de 2010
Eu não.

Há aqueles que vistam o peito de um número ou nome,
Daqueles que dizem vestir-se das vontades do povo.
Eu? Eu não.
Eu visto o peito dos meu ideais,estes ninguém pode tirar, jamais!
Estes quais vou seguir e conseguir!
Mudar é preciso. Lutar inevitável.
Mas que façamos isso, sem depender desses omissos.
Um pouco mais de consciência. Gentileza Gera Gentileza.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Minha leiga homenagem ao som que todo dia embala minha rotina e alegra a minha vida!

Vem pro samba rapaz.
O samba foi escolha da alma.
Pois quando a cuíca ruge,
Meu coração salta.
Meus pés formigam,
E assim vão me arrastando para a avenida.
Posso sentir cada dedo,cada peso do enredo.
O samba é puro,tem muito do povo.
Tem a expressão mais viva.
Ele respira.
Sou capaz de pegar a melodia,ela agora está em minhas mãos.
Ouça só o bater das minhas palmas.
Sinta as raízes,elas estão ficandas no samba dos meus pés.
Eu sou o fruto.
Da semente pregada em cada quintal de domingo.
Dos becos de cada esquina.
Da cerveja gelada acompanhada da mulata.
De cada som que ruge e ecoa na avenida.
O samba é a trilha.
O samba foi o enredo escolhido por mim.
E você,o que faz sentado?
Vem pro samba rapaz,ele é bom demais.
Pé do meu samba - Caetano Veloso
Dez na maneira e no tom
Voce é o cheiro bom
Da madeira do meu violão
Voce é a festa da Penha,
A feira de São Cristóvão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal
Nunca me deixa na mão
Voce é a cancão que consigo
Escrever afinal
Voce é o Buraco Quente
A Casa da Mãe Joana
É a Vila Isabel,
Voce é o Largo do Estácio,
Curva de Copacabana
Tudo que o Rio me deu!!
Pé do meu samba
Chão do meu terreiro
Mão do meu carinho
Glória em meu Outeiro
Tudo para o coração
De um brasileiro
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Uma idéia durante o programa eleitoral.

Ironia da realidade. O sarcástico cidadão dignidade.
A realidade está longe da igualdade .
Inúmeras promessas, poucas verdades.
A solução?
Maquiemos a cidade.
Ela está velha,precisa de uns retoques.
Quem sabe um botox de hipocrisia
e uma puxada nos pés de galinha.
Mas puxe! Puxe mesmo,até tampar os olhos
e não ver mais nada que somente a si.
Maquiemos a cidade.
Já cansada,na mala,café.
A cidade aposentada dos seus sonhos,
pouco ganha e muito trabalha.
A cidade dessa gente sofrida,
nenhuma medida.
A cidade na NOSSA gente sofrida,
só gasta saliva.
Porém,maquiemos agora também a nós.
Adoro cara de palhaço,
combinaria muito bem no meu porta retrato.
sábado, 7 de agosto de 2010
Ás vezes..

Ás vezes grito
Ás vezes escrevo
Mas nem sempre ouvem,nem sempre lêem.
A pensar nas milhares formas de expressão,lembrei do grande Gênio,Charles Chaplin. Homem que não precisou de nenhuma palavra,nenhuma fala. E sabiamente conseguiu com que todos o compreendessem com um simples gesto ou olhar. Não ficou calado,mas também não falou.
Nessa,pensei comigo: Hoje com o mundo cada vez mais virtual,paradoxalmente perto demais,porém tão longe nas relações pessoais. Será que nos esqueceremos do poder que um olhar tem? Ou o que um simples gesto pode dizer?
Ás vezes grito em CAPS LOCK
Ás vezes escrevo tecendo em meu teclado
Mas nem sempre ouvem,nem sempre lêem,não me entendem.
Pois elas..
Elas não me vêem.
Silêncio das palavras
Não me faça perguntas
Deixe que minhas pálpebras caiam
Não é tristeza nem lamento
Apenas o silêncio de minhas palavras
Enquanto isso minha mente fala,
tanto que cansa,
desidrata a saliva da alma
Que gritante,Berra!
E se chegares bem perto,ouvirás
segredos mais íntimos
de minha mente
fulgás
Acácia Valentim.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Moinhos de vento

Poemas,Contos,Poesias..Palavras.
Uma ligação do homem e a alma.
É preciso sensibilidade,mas sobretudo coragem. Coragem para transgredir,liberta-se.
Quanto mais leio,mais admiro esses homens que literalmente escreveram sua história, e também contribuíram para história de uma nação.
Suas reflexões serviram para libertar mentes. Suas subjetividades objetivaram-se no cotidiano de milhares de pessoas.
E continuam tremendo corações,inspirando grande paixões. Passando de gerações para gerações.
Ah! Como é lindo!
Que nasçam mais Andrades,e que sejam tão loucos quanto Linspector,tão apaixonados como Vinicius,tão leves como Quintana.
Que se inspirem dentre outros tantos inúmeros singulares.
E vibrem a beleza do ser.
Porque a poesia, está nos olhos de quem lê.
Se eu fosse um padre
Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!
Mario Quintana
O poeta está vivo
Baby, compra o jornal
e vem ver o sol
Ele continua a brilhar,
apesar de tanta barbaridade
Baby escuta o galo cantar,
a aurora de nossos tempos
Não é hora de chorar,
amanheceu o pensamento
O poeta está vivo, com seus moinhos de vento
A impulsionar a grande roda da história
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de ventos
Se você não pode ser forte,
seja pelo menos humana
Quando o papa e seu rebanho chegar,
não tenha pena
Todo mundo é parecido, quando sente dor
Mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor
O poeta não morreu,
foi ao inferno e voltou
Conheceu os jardins do Éden
e nos contou
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de ventos
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Beija-flor
Por esses dias,bem de manhãzinha, estava no centro de Niterói, cercada por prédios (selva de pedra), e uma coisa chamou muito minha atenção..
Era um beija-flor solitário,verde escuro,lindo! Sentada fiquei a observá-lo durante um tempo. Ele voava..voava.. e pousava nos fios dos postes, parecia um tanto perdido.
Nossa,como apesar de tão lindo,ele não combinava nem um pouco com aquele lugar! Mas claro,ali não era o seu lugar!
Pensei comigo: Será que fatos como este vão tornar-se cada vez mais frequentes? Uma beleza delicada,natural,contrastada ao concreto,buzinas e fumaças?
Bom,espero que não.
Pisquei.
Quando abri os olhos,não estava mais lá.
Tudo isto me lembrou muito o grande poeta Manoel de Barros. E para estreiar a postagem...
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos, como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
Manoel de Barros
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