Intrigante mensurar os parâmetros da morte. Estaria ela vinculada somente aos horizontes biológicos?
Não sei. Talvez. Mas sinto que minhas palavras possuem legítima vida.
São geradas por um tempo, depois maduras, se jogam no ar como pássaros livres no mundo e um dia se vão, esvaem-se, nem que seja a pé do ouvido mais próximo.
Porém trato-as tão delicadamente. Enfeito-as, acarinho-as, coloco-as para dormir, por vezes elas sentem medo de ficarem sós. E se por acaso apaixonarem-se deixo-as ir, correndo, felizes pelo campo, pois sabem que sempre ao final da tarde, estarei ao pé da porta á espera de resposta.
Mas ás vezes elas não voltam..
Hoje, esperei um minuto a mais antes de trancar a porta. Foi quando vi, ao longe, um homem, caminhando como quem traz chumbos nos pés, trazia minhas meninas no colo, que já não mais viviam.
Falecem todas as minhas palavras para ti...
Intrigante. Não entristeci. E olha, tratei de fazer um belo jardim com elas e um velório digno de sua memória em vida. Agora descansam merecidamente, pois fato, que estavam elas todas tão velhinhas...
Cansadas de tanto esperar.
Falecem hoje palavras.
Jazem pensamentos.
Um dia movimentos.
Porém, nascem descendentes felizes, geradas no mais belo jardim, onde dorme a memória viva que um dia foi dita.
É lindo o poder que as palavras tem de sintetizar mistérios em um sentido.
domingo, 26 de junho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Simbiose Poética
Minha poesia quer ser incompreendida.
Quer ser incógnita. Indefinida.
Minhas palavras são concebidas.
Férteis filhas do ventre da minha alma.
Um parto de mim.
Ultimamente estive pensando muito nas palavras e a minha relação com elas..
Intrigante aceitar, mas elas já tem vida própria em mim, chego a arriscar dizer que possuímos uma espécie de simbiose poética. Preciso delas para viver e elas precisam da vida que as dou.
Como se meus dedos fossem seu oxigênio e nós, fizéssemos parte de um grande órgão, e de fato, acredito que isto não seja hipotético. Minhas palavras querem ser por si próprias, querem ser fora de mim, me usam para existir. Eu? Eu não ligo, não me importo. Eu gosto e deixo que elas me usem, me corrompam.
Toda essa relação me faz pensar muito a respeito do grande poeta e sobretudo apaixonado, Vinicius de Morais, poeta que fazia de suas palavras, pura paixão, puro fogo. Poeta que não tinha dimensão de quanto amava, mas hoje ao ler suas poesias, posso jurar que ele tenha morrido de amor. Foram tantas as paixões equivalentes a inúmeros relicários poéticos que me remeto á seguinte reflexão: Vinicius escrevia porque amava ou amava para escrever?
Não sei.
E talvez não queira mesmo esta resposta.
Pois com a minha relação com as palavras posso responder por mim...
...Eu escrevo e amo para amar.
De Repente
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Morais.
Esta pintura me chamou bastante atenção pelas suas cores, formas e beleza, é uma obra de um Grande amigo e Artista, Carlos Valença. Que está no blog: http://carlosvalenca-arteempalavraseimagens.blogspot.com/
sábado, 12 de março de 2011
Palavras em flores

Diante de um tão belo jardim,
Recolho meus derradeiros buquês de mato.
Esboço flores de plástico
Nas minhas mãos talhadas de verbos.
E entrego-lhes,
Como a inibida manhã cinza entrega-se.
E entrego-lhes,
Com a feita consciência da beleza imperfeita.
Ao menor poema
Por fascínio, aventura
é meu dever de poeta um canto épico, monumental.
O Brasil afinal...
Mas esse torpor...esse cansaço
essa letargia...enjôo
e a minha preguiça é tal, que..
Que tal um poema sem letra iniciado com ponto final?
Cézar de Araújo.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Azar no jogo, sorte no amor?

Outrora noutra vida não tão distante, eu fui um cassino. Sim, um cassino.
Nele como regra, apostava-se no mínimo todas as suas fichas e de garantia entregava-se as roupas do corpo e nu, sem alma por fim, apostava-se o coração.
É, eu fui um cassino daqueles cheios de brilho e sorriso grande, convidativo: "Seja Bem Vindo".
Cassino poderoso no qual jogos de amor eram a atração da casa.
E como todo bom cassino capitalista -que a redundância fale por mim- o visitante sempre tinha as primeiras vitórias, pois assim é a lógica.
Pois é, noutra vida fui um cassino.
E nesta manhã,
Nasce apenas um mero apostador, parado de frente a um sorriso viciante.
Um mero aposentado coração
Cheio de fichas na mão.
Maldito capitalismo.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Reflexos de reflexões

Quero rir contigo
O meu melhor Bom dia.
Verás nos meus traços de poeta contido,
A coincidente linha de expressão da vida.
Na corda bamba o bailarino anda.
Seus pés refletem o pódio.
Mas no destino ninguém comanda.
O Bailarino está num abismo entre o amor e o ódio.
Sentada o vejo da segunda fileira, primeira cadeira.
Vejo meus traços traçados por passos,
E ao redor, olhos atentos a espera de um bom final.
Irônico desejo de suas próprias rotinas.
Entre o pés e a corda, digitais.
Entre olhos e passos, um pin-go.
Aplausos saudados!
Risos provocados por nervos.
Prazer, sou artista, vivo entre seu riso e meu vício.
Entre o contigo e o contido.
Vivo entre,
(amanhece)
Um ponto.
[Reflexos de reflexões para todos os artistas
Que fazem da sua própria vida um palco.
De cada palco, um salto.
De uma noite, um Bom dia para os morcegos com insônia.
Pois eles imaginam o dia, como os poetas, o amor.
Coordenadas simples da natureza.]
domingo, 26 de dezembro de 2010
Falemos um pouco de amor..
Caro latifúndio,
Como controlar o que nem mesmo se sabe da onde veio nem porque chegou?
Paixão mal educada, entrou sem pedir licença.
Entrou avisando que talvez não seja mais uma.
Entrou sem me pedir e já construiu seu latifúndio caro em um coração barato, fácil.
Quando as coisas tornaram-se tão complicadas?
Quando as intenções tornaram-se claras e me deixaram vulnerável?
Talvez passe tão rápido como veio.
Talvez fique tão eterna como quando a esperava.
Esperas podem até durar um minuto para quem está a centímetros de distância,
Mas o querer é tão grande que relativisa qualquer vontade.
Como é louco apaixonar-se! Como é clichê! Como está na moda!
Mas não me importa nada agora.
Me faz feliz pensar que amanhã irei esperar quem sabe acordares.
Intrigante contar as milhares palavras que escrevo e compará-las com o tempo que imagino nosso plural.
Se equivalessem, este sentimento não seria real, tornarse-ia pequeno demais,ou jaz,teria me enlouquecido.
Mas não. Ele está na medida certa da paixão. Qual a medida? Se pudesses me ver agora saberia..
Porém ainda não sabes.
A minha paixão é muda, a canto enquanto o violão esboça amores alheios.
Mas estamos mais atentos aos outros.
A sinfonia se cala e aguarda os acordes perfeitos do seu beijo..
Como controlar o que nem mesmo se sabe da onde veio nem porque chegou?
Paixão mal educada, entrou sem pedir licença.
Entrou avisando que talvez não seja mais uma.
Entrou sem me pedir e já construiu seu latifúndio caro em um coração barato, fácil.
Quando as coisas tornaram-se tão complicadas?
Quando as intenções tornaram-se claras e me deixaram vulnerável?
Talvez passe tão rápido como veio.
Talvez fique tão eterna como quando a esperava.
Esperas podem até durar um minuto para quem está a centímetros de distância,
Mas o querer é tão grande que relativisa qualquer vontade.
Como é louco apaixonar-se! Como é clichê! Como está na moda!
Mas não me importa nada agora.
Me faz feliz pensar que amanhã irei esperar quem sabe acordares.
Intrigante contar as milhares palavras que escrevo e compará-las com o tempo que imagino nosso plural.
Se equivalessem, este sentimento não seria real, tornarse-ia pequeno demais,ou jaz,teria me enlouquecido.
Mas não. Ele está na medida certa da paixão. Qual a medida? Se pudesses me ver agora saberia..
Porém ainda não sabes.
A minha paixão é muda, a canto enquanto o violão esboça amores alheios.
Mas estamos mais atentos aos outros.
A sinfonia se cala e aguarda os acordes perfeitos do seu beijo..
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Dificuldade para título. Simplesmente um título,por si só.

Penso ás vezes,quando estiver bem velhinha,será que ainda haverá espaço para coisas novas? Para amores e paixões? Não sei. Seria equívoco meu prever. Porém, meu espírito sempre almeja mais e mais conhecimento e verdade. Não canso. Meus olhos clamam.
Dentre tudo isso,acredito que tudo seja renovável. A vida sempre muda, mesmo que nos pequenos detalhes, principalmente nos pequenos detalhes, são os que dão sentido ao nosso quebra-cabeça da rotina.
Pela vida vou seguindo,não apenas andando e relatando,mas construindo pontes, fazendo história, não de maneira grandiosa, para mim a história está no meu lápis, ele é minha memória.
Então, de que vale passar pela vida se não fizeres o que gosta? E o que você gosta vem de suas singularidades, do seu íntimo. Portanto se não fores a busca de si mesmo e das suas convicções mais autênticas, o que lhe sobrará? Não serás teu.
Deposito sempre nas pessoas a minha confiança pelo bom. Acredito que dentre tantos problemas e razões, o amor e a paz fazem a diferença, sentimentos que são legítimos e autênticos a todos nós, e podem ser plantados,regados e colhidos com fartura.
Acredito no amor. Sim! Acredito. Não conheci sua fórmula, e muito menos sei como é que se diz eu te amo. Mas eu amo,cada dia que chega,cada noite que fala. Cada olhar puro que diz tudo. Eu amo, e é uma sensação tão boa e renovante que hei de amar a todo instante.
Imagem de Anna Anjos. Grande artista plástica.
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